segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Jesus de Nazaré: Transfiguração da História

Nesses quatro anos de estudos teológicos tive a oportunidade de rezar a Teologia. Entendi o que significa: lex orandi, lex credenti, lex vivendi e o quanto é importante para os nossos dias articular essas três dimensões da Fé. Nesse axioma teológico está a razão de escolher o tema dessa Síntese: Jesus de Nazaré: Transfiguração da História. Mistério de contemplação, a Transfiguração, é um “nó” que reúne em si todos os mistérios da história da Salvação no Antigo e no Novo Testamento. Esse mistério realiza o passado – manifestando a verdadeira imagem de Deus, dando plenitude à lei e cumprimento às profecias – e ao mesmo tempo, antecipa o futuro revelando a glória da Ressurreição, a segunda vinda de Cristo e o esplendor final dos justos. Destarte, a partir do relato da Transfiguração, procurei fazer uma leitura narrativa dos tratados teológicos. Dando autoridade à Sagrada Escritura, procurei articular Antropologia-Cristologia-Escatologia. Num modelo clássico, procurei mostrar através dos tratados teológicos, que a Transfiguração no Tabor é um forte e constante apelo à contemplação de Cristo que transforma.
No primeiro capítulo, apresento o sentido salvífico da História. Ela é movimento impresso pela ação criadora de Deus. Nela Deus se deixa encontrar dentro do tempo, ou melhor, cria-o para revelar-se nele. Desse modo, toda história humana é história de Salvação, é História de Deus com o ser humano. Ponto alto dessa história é Jesus de Nazaré. Nele está a centralidade do processo revelador do Pai. Fora dele não se entende o fio condutor que recompõe os diversos tratados de teologia. Para tanto, é importante lembrar que a existência histórica de Jesus de Nazaré deve ser considerada na sua unidade e na sua dimensão ‘oikonômica’, isto é, na sua tensão para o evento pascal e em vista da nossa salvação. Desse modo, os acontecimentos da vida de Jesus devem ser vistos como momentos salvíficos na unidade de um único mistério, íntima e profundamente ligados entre si – ainda que com valores salvíficos próprios – e dirigidos para a meta de uma realização plena: a páscoa de morte e ressurreição. Assim o mistério da Transfiguração deve ser visto como momento salvífico na unidade de um único mistério.
A experiência do Tabor irrompe na História como convite atual para um peregrinar transfigurado (cf. Ef 4,17-32). Assim sendo, a vivência das virtudes teologais na História é um testemunho transfigurado e transfigurante da experiência do Tabor. A história, marcada pela transitoriedade pede sentido e significado. Pede realização e promessa. É por esse motivo que “em Cristo”, “por Cristo” e “com Cristo”, temos o “transfigurar da História”. Ele é a chave hermenêutica de interpretação de toda a história. Ele é realização da promessa e ao mesmo tempo nova promessa. Centro de toda a história, o evento salvífico da morte e ressurreição de Jesus de Nazaré nos coloca na realização da promessa escatológica. Vale lembrar que a partir de Jesus Cristo não há nenhuma nova intervenção de Deus a não ser para “lembrar o que ele disse” (cf. Jo 14,26). Desse modo, na mesma “Nuvem Luminosa” em que os apóstolos Pedro, Tiago e João experimentaram e viram a Transfiguração do Senhor, cabe a nós experimentarmos e aprofundarmos nossa compreensão de Jesus Cristo.
No mistério da Transfiguração algo de real se impõe a nossa experiência. Desta forma, espero que esta síntese teológica possa trazer alguma contribuição nova, para que contemplando Jesus de Nazaré, possamos nos tornar semelhantes a ele, conformando-nos a ele consentindo que seu mundo, seus própositos e seus sentimentos se imprimam em nós (cf. Fl 2,5).

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