sábado, 6 de março de 2010

Partilhando minhas leituras com você!

O trecho que segue é uma resenha do último capítulo do livro de Rubem Alves, Ostra Feliz não faz pérola.

A vida humana se mede pela possibilidade de alegria que ela contém. Ela só é humana enquanto existe a possibilidade de beleza e risos. Mas o que é a morte? A morte é o acorde final dessa sonata que é a vida. Toda sonata tem que terminar. Tudo o que é perfeito deseja morrer. A ciência só lida com generalidades, mas a morte é um evento único, nunca houve e nunca haverá outro igual.
Se queres realmente contemplar o espírito da morte, abri bem o vosso coração para a vida. Aprenda, o silêncio é a palavra mais significativa que se pode falar diante da morte. Ele é como uma “taça vazia” que, por ser vazia, permite que a pessoa que está sofrendo recolha nela todas as suas lágrimas, que nós não conhecemos.
A morte é a única conselheira sábia que temos. Sempre que você sentir que tudo vai de mal a pior e que você está a ponto de ser aniquilado, volte-se para a sua Morte e pergunte-lhe se isso é verdade.
E qual seria um bom lugar para a minha sepultura?It Will be found somewhere within sight of the tree of poetry, that is eternity wearing the Green leaves of time” – Minha sepultura deverá estar próxima à árvore da poesia, que é a eternidade vestida com as folhas verdes do tempo…
Eis o desejo de um vendedor de sonhos! Saiba: Nunca te vi e sempre te amei! Confiai em vossos sonhos, pois neles estão escondidas as portas para a eternidade. Ao falar de sonhos, lembro das estrelas... Para aqueles que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para os sábios, elas são problemas... Mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém, terás estrelas como nunca ninguém as teve... Quando olhares para o céu de noite, eu estarei lá habitando uma delas, e de lá estarei rindo; então será, para ti, como se todas as estrelas rissem! Dessa forma, tu, somente tu, terá uma estrela que sabe rir...
Essas e outras palavras são uma síntese do último capítulo de um livro que acabei de ler: Ostra feliz não produz pérolas. Assim Rubem Alves termina o livro: Oração pelos que vão morrer:
Ó tu, Senhor da eternidade, nós que estamos condenados a morrer elevamos nossas almas a ti à procura de força, porque a Morte passou por nós na multidão dos homens e nos tocou, e sabemos que em alguma curva do nosso caminho ela estará nos esperando para nos pegar pela mão e nos levar... não sabemos para onde. Nós te louvamos porque para nós ela não é mais uma inimiga, e sim um grande anjo teu, o único a poder abrir, para algum de nós, a prisão de dor e de sofrimento e nos levar para os espaços imensos da nova vida. Mas somos como crianças, com medo do escuro e do desconhecido, e tememos deixar esta vida que é tão boa, e os nossos amados que nos são tão queridos.
Dá-nos um coração valente para que possamos caminhar por essa estrada com a cabeça levantada e um sorriso no rosto. Que possamos trabalhar alegremente até o fim e amar os nossos queridos com ternura ainda maior, porque os dias de amor nos são curtos. Nós te agradecemos porque experimentamos o gosto bom da vida! Agora sustenta- nos em sua companhia. Quando as vozes do amor ficarem distantes e se forem, teus braços eternos ainda estarão conosco. De ti veiemos e para ti iremos. Faz pulsar em nós o desejo da eternidade para consolar a agonia da mortalidade....

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