Hoje celebramos o grande mistério do Amor. Amor que se traduz na permanência até o fim! Sabemos que o amor se concretiza num caminho de doação ao extremo e Cristo, ama até ao extremo do amor. Quando vamos almoçar na casa de alguém, partilhamos nossa história, nossas alegrias, nossos ideais, sonhos... Jesus na última ceia partilha sua vida e institui a Eucaristia, o Sacerdócio e o Amor fraterno.
Olhando a 1ª leitura somos convidados a não perder a nossa identidade de povo amado por Deus. Celebrar a Páscoa é recordar a ação de Deus pela humanidade. Deus continua a agir sempre em favor do ser humano. Por isso, celebrar o dom da Eucaristia é nos comprometer em imitar em nossa vida o amor ao extremo de Jesus por todos. Lembra desse canto: “Comungar é tomar-se um perigo”... Comungar é assumir o amor traduzindo em serviço aos irmãos.
Para reafirmar ainda mais sua predileção por nós, são Paulo nos recorda na 2ª leitura que Jesus ao instituir a Eucaristia nos diz: Toda a minha existência é vossa! Vivo, viverei por ti. Mas é também um convite para vivermos por Ele. Faça da sua vida minha memória, eis convite de Jesus.
Então hoje celebramos a noite do amor e da fidelidade, manifestados em três grandes gestos de Jesus na Última Ceia. Três gestos realizados no Cenáculo e que tomaram dimensões gigantescas e perpetuaram ao longo dos tempos.
Três gestos que passaram a ser sinais da nova aliança de Deus com a humanidade. Esses três gestos tiveram a força de transformar esta noite, de noite da traição e da maldade em noite do amor, da amizade, da doação, noite da nova aliança, noite da santidade e da graça.
1º gesto:
O 1º gesto de Jesus foi deixar-se ficar entre os homens numa forma compreensível a todos: na forma de alimento, de comida, na forma de pão, em torno de uma mesa familiar. Certa vez, em Cafarnaum, Jesus disse à multidão que fora saciada com a multiplicação dos pães: “eu sou o pão da vida. Quem comer deste pão viverá eternamente. Agora, na última Ceia, Jesus cumpre essa promessa, dizendo: “Isto é o Meu corpo.... o meu sangue....”
2º gesto:
Para perpetuar sua presença eucarística entre nós, Jesus realiza o 2º gesto, grandioso como sua divindade, misterioso como a Eucaristia, mas 100% humano: instituiu o sacerdócio, fez o padre e o ligou para sempre à origem e à finalidade da Eucaristia. A partir da última Ceia é o padre. – só ele – que faz a Eucaristia. Ela é a principal e central razão de ser do sacerdócio. A palavra “sacerdócio” significa “dom sagrado”, um presente divino que Cristo, sumo e eterno sacerdote, quis repartir com o homem. “Sacerdote” significa também “aquele que faz/torna as coisas sagradas”. O sacerdócio e a Eucaristia foram instituídos em torno de uma mesa e até hoje se realizam em torno da mesa do altar.
3º gesto:
Para confirmar todo seu ensinamento, Jesus realiza um 3º gesto: o lava-pés e ao final deixa claro: “vós me chamais...” A Eucaristia só se torna verdadeira comunhão se aprendemos a viver as lições do lava-pés: lições do amor, da doação, da solidariedade, do serviço... aliás, a Eucaristia pede sempre o lava-pés!
Veja ainda alguns detalhes do lava-pés:
Jesus tira as vestes, coloca o avental e lava os pés: O avental é símbolo do seu serviço pela humanidade. Mas um detalhe, ele não tira o avental depois de lavar os pés, pois para sempre estará a serviço da humanidade. Assim também deve o cristão imitar seu gesto.
Pedro não aceita: porque ainda continua a pensar com a lógica do mundo. É necessário se lavar, buscar a lógica do serviço gratuito e desinteressando.
Jesus depois de lavar os pés se senta. Um escravo sempre permanecia em pé. Ele senta, porque seu gesto é livre, espontâneo, não é obrigado, mas faz na liberdade. Não existe amor sem liberdade.
Então deixemos o gesto do lava-pés falar em nós. A gesto que por si só falam mais que palavra. Vivamos esse momento.
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